FHC concedeu uma entrevista caprichada na revista Isto É desta semana. Só de olhar a capa, percebi que o sociólogo está correto em muitos pontos Senão vejamos:
“Existe um mal-estar no País”
FHC tem razão. Existe um mal-estar vergonhoso no Brasil. Para o povo que valoriza a democracia, é um mal-estar desgraçado ter como oposição um candidato que transformou Minas Gerais, seu estado de origem, numarepubliqueta de parentes apadrinhados, de desperdício comprovado de dinheiro público, de construção de aeroportos inúteis para uso sabe-se lá para quem e para uso sabe-se lá do que.
“O PT perdeu a credibilidade”
Mais uma vez FHC tem razão. O PT perdeu a credibilidade perante os países genocidas. Perdeu a credibilidade dos que duvidavam da capacidade do Brasil em reduzir a pobreza, o analfabetismo. Os indicadores da ONU mostram avanços positivos nestes setores. O PT perdeu a credibilidade dos vira-latas que apostavam num país incapaz de receber tanta gente bonita na Copa do Mundo.
“A Dilma não fala com o Brasil”
É. Realmente a Dilma não fala com o Brasil. Não fala com os banqueiros exploradores do grande capital. Não fala com os patrocinadores de mão-de-obra escrava e infantil.
Dilma não fala com os que desejam ver o Brasil retroceder.
domingo, julho 27, 2014
domingo, julho 20, 2014
Educação: Brasil tem até 2015 para completar a lição de casa
Entre as metas da ONU para a educação a serem cumpridas até 2015, estão a expansão do atendimento escolar na primeira infância, universalização do ensino primário, ampliação das oportunidades de estudo da população adulta, redução do analfabetismo em 50%, alcançar a igualdade de gênero e melhorar a qualidade da educação.
Segundo a Unesco, o Brasil se saiu bem na ampliação do atendimento em creches e pré-escolas e matricula de todas as crianças no ensino fundamental, em principal as meninas e as pertencentes a minorias étnicas. Mas destaca que as condições de acesso não são igualitárias e que a universalização da educação primária não significa a universalização do acesso aos conhecimentos básicos.
O relatório destaca que o Brasil quase universalizou o ensino fundamental, com 94,4% da população de 7 a 14 anos matriculados na escola e que conseguiu reduzir as distorções série-idade, uma vez que a proporção de jovens na idade ideal para o ensino médio é mais do que o dobro da de 1995.
Contudo o Brasil ainda precise de avanços na área, em países de alta renda, as crianças mais pobres estão distantes da educação de melhor qualidade. Na Nova Zelândia, por exemplo, quase todos os estudantes de renda elevada atingem padrões mínimos de aproveitamento nas 4ª e 8ª séries, contra dois terços dos estudantes pobres. Na França, apenas 60% dos imigrantes atingem os patamares mínimos de leitura.
O estudo detalhado e confiável da ONU indica que até agora o Brasil se esforçou e priorizou medidas para melhoras na educação.
Segundo a Unesco, o Brasil se saiu bem na ampliação do atendimento em creches e pré-escolas e matricula de todas as crianças no ensino fundamental, em principal as meninas e as pertencentes a minorias étnicas. Mas destaca que as condições de acesso não são igualitárias e que a universalização da educação primária não significa a universalização do acesso aos conhecimentos básicos.
O relatório destaca que o Brasil quase universalizou o ensino fundamental, com 94,4% da população de 7 a 14 anos matriculados na escola e que conseguiu reduzir as distorções série-idade, uma vez que a proporção de jovens na idade ideal para o ensino médio é mais do que o dobro da de 1995.
Contudo o Brasil ainda precise de avanços na área, em países de alta renda, as crianças mais pobres estão distantes da educação de melhor qualidade. Na Nova Zelândia, por exemplo, quase todos os estudantes de renda elevada atingem padrões mínimos de aproveitamento nas 4ª e 8ª séries, contra dois terços dos estudantes pobres. Na França, apenas 60% dos imigrantes atingem os patamares mínimos de leitura.
O estudo detalhado e confiável da ONU indica que até agora o Brasil se esforçou e priorizou medidas para melhoras na educação.
segunda-feira, julho 14, 2014
Só o dinheiro não resolve
Ao defender mais recursos para a saúde e educação, de imediato se remete ao Governo Federal a responsabilidade destas demandas. E é verdade.
Os percentuais mínimos de investimento fixados a estas áreas vem lá do planalto.
Mas exigir maior investimento com a alegação de que estes serviços são ruins é uma armadilha perigosa. É uma outra questão.
Os serviços prestados pela saúde e educação só irão funcionar a contento, se as verbas a eles destinados forem aplicadas corretamente. Por exemplo:
. os equipamentos das escolas, hospitais, postos, são bem cuidados?
. os médicos cumprem o horário de trabalho?
. as licitações para compra de materiais são transparentes?
. os recursos repassados aos municípios/estados chegam ao destino?
Pois é. De nada adianta o Governo Federal e Congresso estabelecerem as políticas se o prefeito e o governo do Estado não fizerem a sua parte.
Os percentuais mínimos de investimento fixados a estas áreas vem lá do planalto.
Mas exigir maior investimento com a alegação de que estes serviços são ruins é uma armadilha perigosa. É uma outra questão.
Os serviços prestados pela saúde e educação só irão funcionar a contento, se as verbas a eles destinados forem aplicadas corretamente. Por exemplo:
. os equipamentos das escolas, hospitais, postos, são bem cuidados?
. os médicos cumprem o horário de trabalho?
. as licitações para compra de materiais são transparentes?
. os recursos repassados aos municípios/estados chegam ao destino?
Pois é. De nada adianta o Governo Federal e Congresso estabelecerem as políticas se o prefeito e o governo do Estado não fizerem a sua parte.
sexta-feira, julho 04, 2014
Dilma convence. Lula provoca. Gleisi cativa.
Aproximadamente 2500 pessoas na plateia vindas de diversos municípios paranaenses. Gente que veio para ver Lula, Dilma e Gleisi dizer que “Mudar é olhar pra frente”. Gente que acredita no futuro.
O Hino Nacional emocionou. Como na arquibancada verde-amarela, punhos em riste, voz solta e som capela.
Da arquibancada, “um, dois, três, é Dilma outra vez!.” Ou, “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lulá!.” Cada vez mais alto.
Juventude, ah essa juventude criativa. Cantavam, entoavam palavras de ordem sem cansar. PCdoB presente na maior energia. Sinal de campanha alto astral do candidato ao Senado Ricardo Gomyde.
Moçada do PRB, sob o comando do Pastor Praczyk, numa animação total. “Ei Dilma, cadê você, o PRB tá com você”, repetiam o tempo todo. A presidenta Dilma fez uma ressalva: “Eu não estou entendendo o que vocês estão dizendo – o som não ajudou – mas eu apoio. Foi aplaudidésima.
Do PDT, o prefeito Gustavo Fruet e Osmar Dias, estavam ali firmes na tarefa de fortalecer a aliança partidária. Afinal, o vice da futura governadora Gleisi Hoffmann, o médico Haroldo Ferreira é um pedetista histórico das araucárias.
Comentei com um colega ao lado: ”Admiro a presidenta Dilma pelo respeito que ela tem com a militância. Ela detalha as políticas implementadas pelo seu governo e as que pretende dar continuidade com uma paciência de Jó”
Zelo pela soberania e reforma política. A presidenta reafirma a confiança aos dividendos do Pre-sal e à esperança de tornar a política mais ética, transparente e participativa.
Iluminado? É um dom? É difícil achar um adjetivo para qualificar Lula. Ele chega meio de mansinho – a voz continua rouca – começa a falar e a plateia se cala. Os olhos das crianças brilham.
Silêncio total, até que alguém grita “Lula!, interrompendo-lhe a fala. As pessoas sentem necessidade de demonstrar o amor por ele.
“Você que fala mal da política, que diz que político não presta, seja você o bom político. Mostre que você faz a diferença”. Lula provoca e faz a juventude pensar. Quando conta suas estrepolias dos tempos de peão sindicalista, arranca risos.
E a Gleisi Hoffmann? De miúda? Só a compleição. De frágil, só a voz e os gestos delicados. No mais, uma mulher firme, decidida e de um currículo invejável.
E lá vem o mantra da plateia: “Ah! Não vai ter Beto!”. Analogia clara ao recente “Ah! Não vai ter Copa!”
“Os que pregavam o discurso do medo perderam”.
Que venham as eleições.
É bom ser brasileira. Ser paranaense, mais ainda.
O Hino Nacional emocionou. Como na arquibancada verde-amarela, punhos em riste, voz solta e som capela.
Da arquibancada, “um, dois, três, é Dilma outra vez!.” Ou, “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lulá!.” Cada vez mais alto.
Juventude, ah essa juventude criativa. Cantavam, entoavam palavras de ordem sem cansar. PCdoB presente na maior energia. Sinal de campanha alto astral do candidato ao Senado Ricardo Gomyde.
Moçada do PRB, sob o comando do Pastor Praczyk, numa animação total. “Ei Dilma, cadê você, o PRB tá com você”, repetiam o tempo todo. A presidenta Dilma fez uma ressalva: “Eu não estou entendendo o que vocês estão dizendo – o som não ajudou – mas eu apoio. Foi aplaudidésima.
Do PDT, o prefeito Gustavo Fruet e Osmar Dias, estavam ali firmes na tarefa de fortalecer a aliança partidária. Afinal, o vice da futura governadora Gleisi Hoffmann, o médico Haroldo Ferreira é um pedetista histórico das araucárias.
Comentei com um colega ao lado: ”Admiro a presidenta Dilma pelo respeito que ela tem com a militância. Ela detalha as políticas implementadas pelo seu governo e as que pretende dar continuidade com uma paciência de Jó”
Zelo pela soberania e reforma política. A presidenta reafirma a confiança aos dividendos do Pre-sal e à esperança de tornar a política mais ética, transparente e participativa.
Iluminado? É um dom? É difícil achar um adjetivo para qualificar Lula. Ele chega meio de mansinho – a voz continua rouca – começa a falar e a plateia se cala. Os olhos das crianças brilham.
Silêncio total, até que alguém grita “Lula!, interrompendo-lhe a fala. As pessoas sentem necessidade de demonstrar o amor por ele.
“Você que fala mal da política, que diz que político não presta, seja você o bom político. Mostre que você faz a diferença”. Lula provoca e faz a juventude pensar. Quando conta suas estrepolias dos tempos de peão sindicalista, arranca risos.
E a Gleisi Hoffmann? De miúda? Só a compleição. De frágil, só a voz e os gestos delicados. No mais, uma mulher firme, decidida e de um currículo invejável.
E lá vem o mantra da plateia: “Ah! Não vai ter Beto!”. Analogia clara ao recente “Ah! Não vai ter Copa!”
“Os que pregavam o discurso do medo perderam”.
Que venham as eleições.
É bom ser brasileira. Ser paranaense, mais ainda.
sábado, junho 28, 2014
Copa dos arrependidos
O fim primeira fase dos jogos revelou uma nova classe de
brasileiros.
É a classe dos arrependidos. Eles duvidavam desde o começo do
sucesso do mundial. De tanto assistir o JN, ler a Veja e dar ouvidos a papo de
colegas reacionários, alimentaram o
discurso do contra: contra a construção dos estádios, contra os jogos, contra a
vinda de estrangeiros para cá, contra a realização das obras de
infra-estrutura. Ironizaram o legado da Copa e insistiram na alegação do tal
gasto excessivo.
Hoje eles assistem assiduamente as partidas na TV, debatem a qualidade dos jogos na
família, vibram com os lances bem feitos e, de repente, sem perceber, assumem
uma brasilidade reprimida. Admitem publicamente o orgulho de ser brasileiro e
sentem-se felizes por isso.
É incontável o número de pessoas arrependidas por não haver
lutado por ingresso para assistir os jogos. Quem foi ao estádio, leva até o
copo da Coca-Cola prá casa para guardar de lembrança.
Agora é tarde.
segunda-feira, junho 02, 2014
Banestadense no divã
A sala está bonita. Mesa decorada com arranjos florais, canapés e salgadinhos de primeira. É o tratamento dispensado ao aposentado que participa das palestras promovidas pelo Plano de Saúde. Além das palestras motivacionais, de temas relacionados à saúde, os organizadores oferecem um delicioso coquetel de confraternização.
Tudo vai bem, até que – o regabofe farto ainda nem terminou – e já tem gente passando a sacolinha. Sem pedir licença, levam para casa, não só salgados e doces, como também arranjos e flores.
Jantar no Madalosso. O aposentado já vem preparado de casa. Tira a sacolinha de plástico amarrotada do bolso e, discretamente, mas não muito, coloca pedaços de coxa de galinha dentro. Os garçons olham atônitos, incrédulos.
Reveillon na Associação Banestado em Praia de Leste. Faltam 10 minutos para meia-noite. Um grupo domina a agitação em torno do buffet de frutas e champagne, decorado no maior carinho de frente pro mar. A queima dos fogos ainda nem começou. Uvas, ameixas, cachos de banana, são arrancados da mesa e levados para os quartos. Sem dó, nem piedade dos que querem brindar o novo ano.
E por falar em Praia de Leste
Encontro Nacional de Catadoras de Materiais Recicláveis, evento realizado na Associação para mais de 800 catadoras.
Os patrocinadores do evento ofereceram às participantes um jantar de primeira no restaurante da AB. O ambiente foi todo decorado com plantas, arranjos de flores, enfeite com velas e luzes. Para aquele público, um sonho.
O jantar termina. Os elementos de decoração e a comida não consumida ficaram no salão. Tudo na mais perfeita ordem e civilidade.
...
Dia desses, o comentário de um aposentado aqui na rede chamou a atenção. Revoltado, ele vociferou: “Não me sinto mais à vontade para ir na Associação. Imagine... até lixeiro se hospeda lá!”
Tudo vai bem, até que – o regabofe farto ainda nem terminou – e já tem gente passando a sacolinha. Sem pedir licença, levam para casa, não só salgados e doces, como também arranjos e flores.
Jantar no Madalosso. O aposentado já vem preparado de casa. Tira a sacolinha de plástico amarrotada do bolso e, discretamente, mas não muito, coloca pedaços de coxa de galinha dentro. Os garçons olham atônitos, incrédulos.
Reveillon na Associação Banestado em Praia de Leste. Faltam 10 minutos para meia-noite. Um grupo domina a agitação em torno do buffet de frutas e champagne, decorado no maior carinho de frente pro mar. A queima dos fogos ainda nem começou. Uvas, ameixas, cachos de banana, são arrancados da mesa e levados para os quartos. Sem dó, nem piedade dos que querem brindar o novo ano.
E por falar em Praia de Leste
Encontro Nacional de Catadoras de Materiais Recicláveis, evento realizado na Associação para mais de 800 catadoras.
Os patrocinadores do evento ofereceram às participantes um jantar de primeira no restaurante da AB. O ambiente foi todo decorado com plantas, arranjos de flores, enfeite com velas e luzes. Para aquele público, um sonho.
O jantar termina. Os elementos de decoração e a comida não consumida ficaram no salão. Tudo na mais perfeita ordem e civilidade.
...
Dia desses, o comentário de um aposentado aqui na rede chamou a atenção. Revoltado, ele vociferou: “Não me sinto mais à vontade para ir na Associação. Imagine... até lixeiro se hospeda lá!”
quinta-feira, maio 29, 2014
O ontem e o hoje. E o amanhã?
Cinquentões de hoje tem viva na lembrança as muitas manifestações populares ocorridas na década de noventa, ápice do governo neoliberal FHC.
E não eram poucas. Trabalhadores do Brasil inteiro se organizavam, discutiam pautas e saiam às ruas cientes da legitimidade das reivindicações, dos direitos defendidos e das bandeiras de luta.
Nas datas-bases, sindicatos travavam batalhas setorizadas por melhores salários, condições de trabalho e benefícios sociais.
Por contrariedade aos rumos da política vigente, uma massa crítica cada vez maior saia às ruas a clamar por mudanças.
Os movimentos organizados tinham a consciência de que a estabilidade econômica era salutar para o país. Porém, não aceitavam a ideia de que a tal estabilidade fosse concebida à custa da exploração da classe trabalhadora. O povo estava cansado de sofrer, de esperar o bolo crescer para só depois vê-lo repartir.
Nas ruas, gente desempregada se revoltava com a venda do patrimônio público a preço de banana à iniciativa privada. Uma onda de privatizações tomou conta do país numa obediência cega ao Consenso de Washington.
O grito pela Reforma Agrária saia do campo e invadia cidades. Era preciso repartir a terra para plantar e depois colher. Não havia empenho nem prioridade para resolver a questão agrária. Os donos do poder preferiam o amém ao latifúndio e aos grandes proprietários de terras improdutivas.
O receituário neoliberal virou bíblia na era FHC.
Nos pronunciamentos só se ouvia falar no alto endividamento público interno e externo do Brasil, o que, para o governo, justificava a dependência ao capital estrangeiro e a escravidão vergonhosa ao FMI.
Outra justificativa usada pelos economistas para fazer o brasileiro parar de sonhar com a aposentadoria justa era o argumento de que a previdência social estava quebrada. Este motivo também era fartamente usado por eles para dificultar o reajuste do salário-mínimo.
FHC nunca ouviu o povo. Foi um governo explicitamente submisso às ordens lá de fora e ao grande capital. Enquanto isso, o mercado de trabalho dava mostras de encolhimento e milhões de trabalhadores perdiam seus postos de trabalho vítimas de demissões seriadas. Sem contar a desesperança dos jovens em poder estudar, trabalhar e ser alguém na vida.
Os jovens que obviamente não passaram por essa fase de horror acham que é exagero, que é chororô de petista saudoso. Mas não é. É a mais pura verdade.
Deu a louca no mundo
O povo retoma os movimentos. Diferente do jeito de reivindicar e de fazer política dos anos neoliberais, gente organizada por sindicatos pelegos, gente autônoma, gente liderada por pequenos partidos políticos, gente de grupos de ninguém sabe ninguém viu, fazem protestos financiados sabe-se lá por quem e com quais interesses . Enfim, uma massa que faz pose de insatisfeita com o sistema, sem saber que sistema é esse que o oprime e o que quer dele de verdade.
Se apresentam da noite para o dia como revolucionários do sabe-se lá do que e para quem. Misturam Copa do Mundo com saúde e educação, Neymar com salário, ignoram a justiça, negam acordos coletivos firmados via sindicatos e se acham donos da razão.
Confundem manifestação com depredação.
Se a polícia recua, é quebradeira, pichação, incêndio. Se usa a força, é autoritária e violenta.
Se o manifestante vai preso, é arbitrariedade da lei. Se a impunidade prevalece, é a justiça que falha.
E não eram poucas. Trabalhadores do Brasil inteiro se organizavam, discutiam pautas e saiam às ruas cientes da legitimidade das reivindicações, dos direitos defendidos e das bandeiras de luta.
Nas datas-bases, sindicatos travavam batalhas setorizadas por melhores salários, condições de trabalho e benefícios sociais.
Por contrariedade aos rumos da política vigente, uma massa crítica cada vez maior saia às ruas a clamar por mudanças.
Os movimentos organizados tinham a consciência de que a estabilidade econômica era salutar para o país. Porém, não aceitavam a ideia de que a tal estabilidade fosse concebida à custa da exploração da classe trabalhadora. O povo estava cansado de sofrer, de esperar o bolo crescer para só depois vê-lo repartir.
Nas ruas, gente desempregada se revoltava com a venda do patrimônio público a preço de banana à iniciativa privada. Uma onda de privatizações tomou conta do país numa obediência cega ao Consenso de Washington.
O grito pela Reforma Agrária saia do campo e invadia cidades. Era preciso repartir a terra para plantar e depois colher. Não havia empenho nem prioridade para resolver a questão agrária. Os donos do poder preferiam o amém ao latifúndio e aos grandes proprietários de terras improdutivas.
O receituário neoliberal virou bíblia na era FHC.
Nos pronunciamentos só se ouvia falar no alto endividamento público interno e externo do Brasil, o que, para o governo, justificava a dependência ao capital estrangeiro e a escravidão vergonhosa ao FMI.
Outra justificativa usada pelos economistas para fazer o brasileiro parar de sonhar com a aposentadoria justa era o argumento de que a previdência social estava quebrada. Este motivo também era fartamente usado por eles para dificultar o reajuste do salário-mínimo.
FHC nunca ouviu o povo. Foi um governo explicitamente submisso às ordens lá de fora e ao grande capital. Enquanto isso, o mercado de trabalho dava mostras de encolhimento e milhões de trabalhadores perdiam seus postos de trabalho vítimas de demissões seriadas. Sem contar a desesperança dos jovens em poder estudar, trabalhar e ser alguém na vida.
Os jovens que obviamente não passaram por essa fase de horror acham que é exagero, que é chororô de petista saudoso. Mas não é. É a mais pura verdade.
Deu a louca no mundo
O povo retoma os movimentos. Diferente do jeito de reivindicar e de fazer política dos anos neoliberais, gente organizada por sindicatos pelegos, gente autônoma, gente liderada por pequenos partidos políticos, gente de grupos de ninguém sabe ninguém viu, fazem protestos financiados sabe-se lá por quem e com quais interesses . Enfim, uma massa que faz pose de insatisfeita com o sistema, sem saber que sistema é esse que o oprime e o que quer dele de verdade.
Se apresentam da noite para o dia como revolucionários do sabe-se lá do que e para quem. Misturam Copa do Mundo com saúde e educação, Neymar com salário, ignoram a justiça, negam acordos coletivos firmados via sindicatos e se acham donos da razão.
Confundem manifestação com depredação.
Se a polícia recua, é quebradeira, pichação, incêndio. Se usa a força, é autoritária e violenta.
Se o manifestante vai preso, é arbitrariedade da lei. Se a impunidade prevalece, é a justiça que falha.
Constituinte exclusiva para reformar a política arcaica é pouco. Urge uma constituinte exclusiva para repensar a alma do povo. Se é que Deus ainda é brasileiro.
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