quarta-feira, maio 27, 2026

JOGA PEDRA NA GENI

Era um domingo como outro qualquer na Curitiba de Nossa Sra.da Luz dos Pinhais.
Domingo, sol tímido e dezenas de pessoas a aglomerar-se pelas ruas estreitas da feirinha do Largo da Ordem.
Não raro, sentar na borda do Cavalo Babão é alternativa para descansar um pouco e aproveitar o momento para admirar a beleza do casario ao redor.
Ali estava eu sentada com olhar absorto, quando sem menos esperar percebo uma mulher sentada ao meu lado.
Olhei-a com atenção. Era uma mulher negra, grávida, de vestes e cabelo em desalinho. Portava uma lata na mão, cujo estado impossibilitava saber que tipo de líquido tinha ali.
Puxei um dedo de prosa com ela e o diálogo foi mais ou menos assim:
-De quantos meses você está?
-Acho que uns sete, respondeu com jeito um tanto relutante.
-E aí, é menina ou menino? Perguntei.
-Não sei.
-Você tá fazendo pré-natal? Já sabe em que hospital o bebê vai nascer?
A mulher virou a cabeça para mim, fitou-me por uns segundos, tomou um gole do líquido que tinha dentro da lata e disse:
-Eu já to acostumada com esses barrigão. Esta já deve ser a terceira ou quarta criança que eu boto no mundo. Ganho a criança nos pontos de ônibus ou debaixo das lonas das lojas. Meu amigos da rua me ajudam tirar o bebê de dentro da barriga.
-E a criança? Perguntei.
-Sempre passa um carro e leva embora.
...
Perguntei se a mulher estava com fome e ela respondeu que sim.
Fui até uma panificadora próxima, comprei um copo de café com leite e um sanduíche e levei até ela.
Me despedi.