Zé das Pedras é um cara famoso. Seus discos venderam como água nas décadas de setenta oitenta. Já ganhou prêmios internacionais como intérprete e compositor, inclusive de trilhas sonoras adaptadas ao teatro e cinema. Enfim, é um cara que nasceu para o sucesso.
Gente interessada em documentar a trajetória do Zé escreveu um livro sobre sua vida. Uma obra bonita de 200 páginas. Lá na página 187, tem uma passagem inusitada da sua biografia. Conta o escritor que Zé tinha mania de emitir flatulências enquanto pensava, enquanto se entregava aos devaneios inspiradores de sua criação. A narração vai mais além. Afirma que, quanto mais forte o odor dos gases , mais o artista se inspirava na composição dos versos.
O livro virou bestseller da noite para o dia. De norte a sul, todo mundo comentava a biografia do Zé. Só que a vida dele virou um inferno.
A dona da padaria da esquina da casa do Zé torcia o nariz quando ele entrava no estabelecimento comprar o pãozinho de cada dia. Certa vez Zé escutou a vendedora cochichando com uma amiga se o cheiro da flatulência não iria contaminar o sabor dos pães.
Pior mesmo aconteceu naquele domingo. Como sempre, Zé foi à praia tomar um delicioso banho de sol. Bater um papo gostoso com a galera. A fim de relaxar, deitou na areia e fechou os olhos para ouvir o balanço do mar. Ao abri-los, viu que não tinha mais ninguém ao redor. O vendedor de coco disse-lhe que a moçada ficou com medo que ele infestasse o lugar.
E o talento do Zé? A flatulência ofuscou.
domingo, outubro 20, 2013
GREVE É INEVITÁVEL. SERÁ?
Desde 2011 o reajuste do salário mínimo tem regras definidas. O valor é calculado com base no percentual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mais a reposição da inflação do ano anterior pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Até então, a definição dos índices era precedida de intensa mobilização social provocada principalmente pelas centrais sindicais. Trabalhadores aposentados e ativos saiam às ruas em luta pelos direitos. Pipocavam manifestações e caravanas seguiam em marcha rumo à Brasília. Tempos memoráveis.
O salário mínimo por decreto - bem ou mal - acalmou os ânimos da agenda sindical no trato do tema.
Mas a reflexão deste texto não é esta. É sobre a convenção coletiva de trabalhadores pertencentes a categorias organizadas em torno de grandes sindicatos.
Nas datas-base, as reivindicações são múltiplas, mas o carro chefe das negociações e o incentivo à deflagração de greve se acentua no impasse das cláusulas econômicas.
Não raro, a intransigência resulta em dias e dias parados, perseguição de chefias - o sindicato pede 10, o patrão propõe 5 e no final fecha-se em 7,5 - reposição ou desconto dos dias parados. Os sindicatos cantam vitória, os trabalhadores nem tanto, e tudo volta ao normal até o próximo ano, quando tudo novamente se repete.
A inquietação está no porquê e a quem interessa o habituê anual de paralisações. Greve é medida desgastante, coloca o trabalhador entre a cruz e a espada: se adere, sofre com o medo da demissão; se fura, é taxado de “fura- greve” pelos colegas. De outro lado, também tem uma população prejudicada pela falta de atendimento.
Ingenuidade não. É sabido que na política grandes líderes nascem do palco das assembléias e que a criação de partidos políticos são facilitados no âmbito das estruturas sindicais.
O discurso da retomada de conquistas e avanços feitos pelas lideranças sindicais é uma forma segura de aproximação e fortalecimento de vínculos com a classe trabalhadora.
Mas então? Custa a crer que, diante dos avanços das relações trabalhistas, da evolução e novas formas de comunicação em todos os meios, o prestígio dos sindicatos esteja atrelado à capacidade de mobilizar os trabalhadores para cruzar os braços.
Não se trata da visão maniqueista de ser contra ou a favor de greve. A questão é pensar em alternativas menos desgastantes e ao mesmo tempo capaz de garantir os direitos dos trabalhadores.
Uma boa saída seria encaminhar as negociações de forma a vincular aumento salarial a indexadores econômicos, aos moldes de como é tratado hoje o reajuste do salário mínimo. Jeito tem. É só pensar numa concepção mais modernizada da relação trabalhador-sindicato. Uma relação adaptada a agilidade própria de quem não tem tempo a perder.
Aos companheiros do movimento sindical, peço desculpas pela ousadia e desde já preparo as costas a bordoadas.
Até então, a definição dos índices era precedida de intensa mobilização social provocada principalmente pelas centrais sindicais. Trabalhadores aposentados e ativos saiam às ruas em luta pelos direitos. Pipocavam manifestações e caravanas seguiam em marcha rumo à Brasília. Tempos memoráveis.
O salário mínimo por decreto - bem ou mal - acalmou os ânimos da agenda sindical no trato do tema.
Mas a reflexão deste texto não é esta. É sobre a convenção coletiva de trabalhadores pertencentes a categorias organizadas em torno de grandes sindicatos.
Nas datas-base, as reivindicações são múltiplas, mas o carro chefe das negociações e o incentivo à deflagração de greve se acentua no impasse das cláusulas econômicas.
Não raro, a intransigência resulta em dias e dias parados, perseguição de chefias - o sindicato pede 10, o patrão propõe 5 e no final fecha-se em 7,5 - reposição ou desconto dos dias parados. Os sindicatos cantam vitória, os trabalhadores nem tanto, e tudo volta ao normal até o próximo ano, quando tudo novamente se repete.
A inquietação está no porquê e a quem interessa o habituê anual de paralisações. Greve é medida desgastante, coloca o trabalhador entre a cruz e a espada: se adere, sofre com o medo da demissão; se fura, é taxado de “fura- greve” pelos colegas. De outro lado, também tem uma população prejudicada pela falta de atendimento.
Ingenuidade não. É sabido que na política grandes líderes nascem do palco das assembléias e que a criação de partidos políticos são facilitados no âmbito das estruturas sindicais.
O discurso da retomada de conquistas e avanços feitos pelas lideranças sindicais é uma forma segura de aproximação e fortalecimento de vínculos com a classe trabalhadora.
Mas então? Custa a crer que, diante dos avanços das relações trabalhistas, da evolução e novas formas de comunicação em todos os meios, o prestígio dos sindicatos esteja atrelado à capacidade de mobilizar os trabalhadores para cruzar os braços.
Não se trata da visão maniqueista de ser contra ou a favor de greve. A questão é pensar em alternativas menos desgastantes e ao mesmo tempo capaz de garantir os direitos dos trabalhadores.
Uma boa saída seria encaminhar as negociações de forma a vincular aumento salarial a indexadores econômicos, aos moldes de como é tratado hoje o reajuste do salário mínimo. Jeito tem. É só pensar numa concepção mais modernizada da relação trabalhador-sindicato. Uma relação adaptada a agilidade própria de quem não tem tempo a perder.
Aos companheiros do movimento sindical, peço desculpas pela ousadia e desde já preparo as costas a bordoadas.
quarta-feira, outubro 02, 2013
Quem usa máscara é covarde
Resultou numa baita confusão a junção dos black blocs e professores em greve no Rio. Bens públicos depredados, pancadaria, tiros da polícia e uma correria doida assustaram os cariocas na tarde de ontem.
Há quem defenda a presença dos mascarados nas manifestações, com a justificativa de solidariedade à classe. Bonito gesto se as ações dos grupos não resultassem em prejuízo para bolso do cidadão comum, esse que trabalha, paga imposto e depende do bom funcionamento dos serviços públicos. As cenas de quebradeira em nada contribui para resolver os problemas do país nem a curto, nem a longo prazo.
Violência gera violência. Até prova ao contrário, se esconder atrás de uma máscara com o objetivo de desafiar as instituições é, no mínimo, atitude de quem tem merreca na cabeça.
Há quem defenda a presença dos mascarados nas manifestações, com a justificativa de solidariedade à classe. Bonito gesto se as ações dos grupos não resultassem em prejuízo para bolso do cidadão comum, esse que trabalha, paga imposto e depende do bom funcionamento dos serviços públicos. As cenas de quebradeira em nada contribui para resolver os problemas do país nem a curto, nem a longo prazo.
Violência gera violência. Até prova ao contrário, se esconder atrás de uma máscara com o objetivo de desafiar as instituições é, no mínimo, atitude de quem tem merreca na cabeça.
sexta-feira, setembro 20, 2013
Ame o Brasil e fique por aqui mesmo
Começo da década de noventa, dois filhos pré adolescentes prá criar e uma enorme insegurança no futuro. O índice de desemprego beirava a estratosfera. Uma década centrada na doutrina neoliberal e FHC seguiu a cartilha à risca. A ordem vinda de cima não deixava dúvidas: vender estatais a qualquer preço e segurar a escalada inflacionária, nem que para isso fosse sacrificado o emprego, salários e prestação serviços públicos de primeira necessidade. O real estabilizou, mas o custo foi altíssimo.
Hoje a realidade é outra. O fantasma do desemprego não mais assusta. Tem escola superior prá pobre e rico. Basta ter vontade de estudar. Brasileiro que não tinha onde morar hoje tem casa com geladeira e máquina de lavar roupa. Tem um governo que ajuda quem tem fome até a pessoa se levantar e seguir seu caminho sem precisar de ajuda.
No entanto, paradoxalmente, as queixas hoje são maiores. Todo mundo reclama. Tem gente que chega a dizer que o Brasil é uma merda. Que é preferível viver lá fora.
Meus filhos estão empregados. Irmãs, sobrinhos também. Todos tem esperança e acreditam que o amanhã será ainda melhor.
ET. Soube que uma amiga que mora na Itália está “despachando” seu filho de 18 anos para o Brasil para continuar os estudos e trabalhar. Lá os jovens estão sem rumo. Olham ao redor e não encontram nada para fazer.
Hoje a realidade é outra. O fantasma do desemprego não mais assusta. Tem escola superior prá pobre e rico. Basta ter vontade de estudar. Brasileiro que não tinha onde morar hoje tem casa com geladeira e máquina de lavar roupa. Tem um governo que ajuda quem tem fome até a pessoa se levantar e seguir seu caminho sem precisar de ajuda.
No entanto, paradoxalmente, as queixas hoje são maiores. Todo mundo reclama. Tem gente que chega a dizer que o Brasil é uma merda. Que é preferível viver lá fora.
Meus filhos estão empregados. Irmãs, sobrinhos também. Todos tem esperança e acreditam que o amanhã será ainda melhor.
ET. Soube que uma amiga que mora na Itália está “despachando” seu filho de 18 anos para o Brasil para continuar os estudos e trabalhar. Lá os jovens estão sem rumo. Olham ao redor e não encontram nada para fazer.
segunda-feira, setembro 16, 2013
Mudem as regras, pelo amor de Deus!
Tem muita gente por aí que pensa que se os envolvidos no mensalão forem punidos, seria retomada a normalidade ética e moral no país. Assim, como um passe de mágica, a classe política se tornaria a inimiga número um dos atos lesivos ao erário e voltaria a ter o respeito dos cidadãos. Ledo engano.
Enquanto persistir o modelo de fonte de recursos privados para campanhas, os Caixa 2, as prestações de contas maquiadas vão existir. E quem paga a conta “além da conta” é o cidadão.
Se a empresa X faz uma doação para um determinado candidato, não a faz por amor à pátria. A recompensa vem em dobro nos superfaturamentos, licitações dirigidas e tráfico de influências. É óbvio. É um modelo de privilégios ao grande capital. Basta observar a configuração do Congresso: as bancadas de megapastor, mega latifundiário, mega empresário se perpetuam no poder.
A corrupção político-eleitoral é a mais nociva.
Enquanto persistir o modelo de fonte de recursos privados para campanhas, os Caixa 2, as prestações de contas maquiadas vão existir. E quem paga a conta “além da conta” é o cidadão.
Se a empresa X faz uma doação para um determinado candidato, não a faz por amor à pátria. A recompensa vem em dobro nos superfaturamentos, licitações dirigidas e tráfico de influências. É óbvio. É um modelo de privilégios ao grande capital. Basta observar a configuração do Congresso: as bancadas de megapastor, mega latifundiário, mega empresário se perpetuam no poder.
A corrupção político-eleitoral é a mais nociva.
Hipocrisia anunciada
Na tentativa de dar respostas ao povão ensandecido das “ruas de junho”, os congressistas se decidiram por uma reforma política meia sola. Chamam a obra prima de mini reforma. Se levassem a sério o brado das ruas, não apresentariam uma proposta tão esdrúxula.
Primeiro: porque mini e não uma reforma decente, que apresente avanços e amadurecimento da democracia?
Segundo: centralizar o debate de redução nos gastos de campanha em corte de santinhos e cartazes é, no míninmo, fazer pouco da inteligência do brasileiro.
Ou seja: deixa-se aberta a porta para abusos do poder econômico, facilidades para compra de votos.
Porque eles temem o financiamento público de campanha? Não querem perder a mamata. Querem continuar tratando pobre como subalterno eleitor, jamais como seu igual.
Primeiro: porque mini e não uma reforma decente, que apresente avanços e amadurecimento da democracia?
Segundo: centralizar o debate de redução nos gastos de campanha em corte de santinhos e cartazes é, no míninmo, fazer pouco da inteligência do brasileiro.
Ou seja: deixa-se aberta a porta para abusos do poder econômico, facilidades para compra de votos.
Porque eles temem o financiamento público de campanha? Não querem perder a mamata. Querem continuar tratando pobre como subalterno eleitor, jamais como seu igual.
O dia “D” dos hipócritas
Diz a música que “O Haiti é aqui”. Discordo. A Normandia é aqui. E o “Dia D” dos brasileiros vai ser na quarta-18. Precisamente nesta data, a grande imprensa e políticos da direita estarão apostos como aves de rapina no aguardo do parecer do Ministro Celso de Mello, no caso do julgamento do mensalão.
Se o ministro acatar os embargos infringentes, dirão que a democracia está em jogo, dirão que a turma do PT merece ser punida porque o país não aguenta mais tanta impunidade, dirão que a decisão corrobora a tese de julgamento ad eternum...
Na hipótese de parecer contrário aos recursos, essa mesma corja vai suspirar aliviada. Conseguimos. Muitos pensarão.
Manchete da Folha: “Cai a chance de Dilma em 2014”. Chamada do JN: “Condenados do mensalão vão prá cadeia. Em decisão histórica, a Suprema Corte põe fim ao julgamento do maior escândalo de corrupção do século.”
O Haiti não é aqui. Aqui é o Brasil.
Se o ministro acatar os embargos infringentes, dirão que a democracia está em jogo, dirão que a turma do PT merece ser punida porque o país não aguenta mais tanta impunidade, dirão que a decisão corrobora a tese de julgamento ad eternum...
Na hipótese de parecer contrário aos recursos, essa mesma corja vai suspirar aliviada. Conseguimos. Muitos pensarão.
Manchete da Folha: “Cai a chance de Dilma em 2014”. Chamada do JN: “Condenados do mensalão vão prá cadeia. Em decisão histórica, a Suprema Corte põe fim ao julgamento do maior escândalo de corrupção do século.”
O Haiti não é aqui. Aqui é o Brasil.
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