quarta-feira, junho 29, 2011
quarta-feira, junho 22, 2011
Super poderes dos Richas
As secretarias de Infraestrutura e Logística nas mãos do irmão Pepe e Família e Ação Social sob a batuta da esposa Fernanda consomem juntas 80% do orçamento do Estado.
De duas uma: ou a família Richa é muito competente ou então o governador não confia nos demais membros da equipe.
ET. Justificar a nomeação familiar comparando o Governo Dilma não procede. Afinal, deputado Traiano, qual o parentesco da presidenta com o casal Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann?
quinta-feira, junho 09, 2011
Lula é sempre Lula
O ex presidente Lula foi a estrela da Marcha das Mulheres Catadoras de Materiais Recicláveis realizada hoje à tarde em Curitiba. Duas frases de Lula chamaram a atenção: “Eu posso não ser um catador de papel como vocês, mas sou um catador de sonhos e esperança” . E a outra: Eu deixei a Presidência da República, mas não deixei meus compromissos.”
Marilza Aparecida de Lima, representante do Movimento Nacional de Catadores se emociona e o discurso fica pela metade. “Você é o nosso presidente. A Dilma é a nossa Presidenta,” se esforça para falar com a voz embargada.
O salão lotado, com mais de 500 pessoas, aplaude sem parar. Enquanto um e outro faz uso da palavra, Lula autografa camisetas, bonés, arrisca um corpo-a-corpo mesmo de cima do palco. A moçada grita. Quer beijar, abraçar, chegar perto do presidente.. Só o fato de pegar na mão dele já é suficiente para os olhos se encherem de lágrimas.
Não resisti. Arrisquei uma pose com Lula e também fiquei emocionada.
terça-feira, junho 07, 2011
Paraná é vítima do atual sistema político
Pela lei, quem assume a vaga da senadora no Congresso é o 1º suplente Sergio de Souza (PMDB).
Pergunta-se: Quantos paranaenses conhecem ou já ouviram falar deste político? Quantos votos ele obteve para ocupar um cargo de tamanha envergadura como Senador da República? Este suplente está preparado para representar e defender os interesses do Estado no Senado Federal?
Acabar com esse sistema de suplência anônima e nomear o político mais votado pela ordem nas urnas, é uma opção a ser pensada na reforma política em curso.
sexta-feira, junho 03, 2011
A covardia e o cinismo do PT
Do blog Cidadania
O ex-presidente Lula arrastou um peso morto durante os seus dois mandatos inteiros: o PT. Quase todas as confusões que a mídia armou para cima do governo anterior se deram graças ao partido, com destaque para o mensalão. Lula, porém, salvou o PT e o manteve no poder. Lula sempre foi maior do que o seu partido. Todos reconhecem isso.
Mas quando é para ajudar o seu próprio governo, ou o PT pesa ou se omite, ou seja, não se furta a ser sempre o protagonista dos escândalos ou, então, cisma de posar de “partido da ética” quando se sabe que esse título, hoje, está tão fora do seu alcance quanto de qualquer outra agremiação partidária.
De novo, Eduardo Suplicy e o resto das marionetes “éticas” do PT sempre dispostas a dar à mídia o que ela quer – ainda me lembro de Suplicy ajudando as “meninas do Jô” a esculhambarem o seu partido e o governo Lula. A lista de covardes e cínicos que só querem a parte boa de militarem no partido do governo mas se omitem ou até ajudam os adversários quando é hora de darem a própria cota de sangue, é longa.
Ah, o PT não quer apoiar Lula e Dilma apoiando Palocci? Não, não quer. Ontem, o colunista de O Globo Ilimar Franco relatou que o ex-presidente e a sucessora estavam “perplexos” com a “irracionalidade” do partido. Sim, precisou um colunista de O Globo dizer isso. Só aí você, leitor, já pode ter uma idéia da covardia e do cinismo do PT.
Gozado, não? Palocci não recebe apoio do PT, mas Delúbio Soares continua bom companheiro. Justo Delúbio, que meteu o partido inteiro em uma encrenca que ele próprio armou optando por um caminho de financiamento que idealizou sabe-se lá como. E se você, petista covarde, acha que essa direita midiática com a qual colabora vai livrar a sua cara, esqueça.
Assim que o próprio partido de Dilma e de Lula ajudar a tornar este governo um zumbi que poderá passar quase quatro anos lutando para segurar ministros e se explicar em escândalos forjados, as baterias midiáticas se voltarão contra esse mesmo partido. Ou alguém acha que, ano que vem, o PT não apanhará até o fechamento das urnas no segundo turno?
Enquanto o PT se esconde em vez de partir para cima da direita midiática exigindo provas das acusações a Palocci – contra quem, um mês depois do início do ataque, só se tem que enriqueceu “20 vezes em 4 anos” – e cobrando o enriquecimento inexplicável de Aécio Neves, por exemplo, vemos um Lula isolado e apelando a moucos ouvidos petistas.
Entendo jornalistas que batem em tucanos e petistas. E respeito. Não entendo e não aceito jornalistas que se calam em relação a escândalos tucanos ou demos e viram feras em relação a escândalos petistas. E entendo ainda menos um partido que sabe que jamais será aceito pela direita midiática se acovardar logo no primeiro dos muitos embates que virão.
Se não fosse Lula, o PT talvez nem existisse mais. Abandonar o ex-presidente e Dilma em um momento em que se define o que será este governo – se será forte por ter superado a crise Palocci ou fraco e alvo de ataques iguais e periódicos até 2014 – deixa claro que o PT não está à altura da posição que ocupa, ainda que nenhum outro partido tampouco esteja.
domingo, maio 29, 2011
“O senhor Cu". Um resgate histórico-cultural do cu; o cu é discreto e tem nobreza
O cu é complexo. Mesmo desconsiderando as questões e os problemas vizinhos do colo ileopélvico, do sigmóide, do reto, do ponto crítico de Sudeck, da fita cólica distal, dos ramos epiplóicos, das colunas, válvulas e criptas de Morgani, que dão feição, encaixe, suporte e armação ao cu, ele é complexo. No aparelho esfincteriano, toda a circunferência do cu é ocupada pelo espaço perianal ou subcutâneo. O cu é a abertura para o exterior do canal anal. Quando fechado, tem o aspecto de fenda disposta no sentido ântero-posterior ou transversal e, quando aberto, o seu contorno é circular. Dois sulcos medianos aí se mostram: a rafe sacrococcígea e a rafe anobulbar ou ano-vaginal, na mulher. Segundo a descrição de Milligan e Morgan, o cu tem como limite superior o anel ano-retal, o ponto mais alto, e como limite inferior a linha anocutânea ou linha branca de Hilton.
O cu é também dotado de papilas, minúsculas saliências ovalares da mucosa, às vezes mesmo imperceptíveis. E por todos os lados o cu é circundado por rica rede vascular comunicante, espessada túnica muscular, constituída pelos feixes fibromusculares elásticos e fibras lisas, formando um complexo aparelho regulador da continência do cocô e dos peidos. No entanto, por mais complexo que seja o cu, ele é prazeroso e todos, no íntimo e no recato, o apreciam e valorizam.
O grande Freud, como se sabe, chegou a mencionar e a estudar o chamado estágio ano-retal ou fase anal, da criança, como um dos mais importantes na definição posterior de sua personalidade adulta.
Também para os que sofrem de incómoda e persistente prisão de ventre ou outros distúrbios gastrointestinais, quando o bolo fecal e os peidos chegam finalmente ao cu, depois de longo e penoso processo intestinal, experimentam (é o que se diz e comenta reservadamente) grande prazer e alívio, vivendo um dia de optimismo e alegria e com isso criando, à sua volta, um ambiente ameno e agradável no lar e no trabalho.
Existe ainda os que falam e exaltam, de público e alto e bom som, os prazeres combinados, de “mão dupla”, do cu, ou seja, das coisas que saem do cu mas também das coisas que entram no cu. […] Para estes, que cultivam eroticamente o cu, torna-se incompreensível, até certo ponto, desde que se deliciam com o coito anal, expressões ofensivas e agressivas vulgares do populacho, tais como “Vai tomar no cu!” […], ou que utilizam expressões pejorativas como o “cu do mundo” para significar um lugar feio, vergonhoso ou miserável. Como poderiam tais expressões ser verdadeiras, se o cu, afinal, é belo, é gostoso e só nos proporciona o bem e o agradável? – perguntam eles.
Por outro lado, o imaginário popular também utiliza o cu para exprimir sua profunda sabedoria quando usa expressões e provérbios tais como “Cu de bêbado não tem dono”, “Não se deve contar com o ovo no cu da galinha”, “Quando a merda der dinheiro, o cu do pobre entope”, “Quanto mais alguém se abaixa, mais lhe aparece o cu”, “Quem tem cu tem medo” etc. E o cu ainda tem a virtude de não ficar exposto por aí, como o rosto e outras partes do corpo humano, guardando-se e reservando-se sempre na intimidade de cuecas, calcinhas e paninhos. O cu é discreto por natureza e cultura. Sem exagero, possui nobreza.
Mas, de toda forma e por último, seja que apelido ou nome dermos ao cu, […] o certo é que todos nós muito devemos ao Senhor Cu, o qual em tudo é assim digno de nossa homenagem, louvor e gratidão. Viva o cu! Longa vida ao cu! Salve o cu!
Escrito por JARBAS MEDEIROS, cientista político. Artigo publicado na edição de novembro/2001 da Revista Caros Amigos
sábado, maio 28, 2011
Sorriso
Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o acto de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos.
O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso.
José Saramago