quinta-feira, janeiro 19, 2023

PATRIA AMADA. SALVE, SALVE

A recente entrevista do presidente Lula na GloboNews teve repercussão record. Lá na sala com a jornalista Natuza Nery, mais uma vez Lula mostrou-se destemido, assertivo, coerente e... mais maturo, digamos assim. 

O acúmulo de experiências na vida pessoal e política, parece deixar-lhe mais sábio. 

Muitas passagens, reconheça-se, sofridas demais. 

Isso é bom. É. 

Porém, é preciso pensar seriamente nos desdobramentos da entrevista.

Parcela da caserna mi-mi-mi dá demonstração de descontentamento ao ser citada na irresponsabilidade e omissão verificada no andamento e realização dos atos terroristas. Lula não usou de meias palavras ao colocar as FFAA no cena do crime. 

Uma rápida incursão nas manchetes dos jornalões dão conta de críticas severas ao anúncio de medidas econômicas anunciadas por Haddad. O empresariado sempre foi mal acostumado. Verifica-se, no entanto, crescente e orquestrado modelo de mercado egoísta, centralizador de cifras, cultivado notadamente nos últimos seis anos.

Lula pegou na veia.

Na sua sapiência, sabe que medidas governamentais e ações punitivas ao golpe devem ser imediatas, sob pena de ameaça ao controle do Estado.

Então, se o presidente está  certo, onde mora o problema?

A questão é: Lula precisa de apoio popular. 

O Judiciário está fazendo (desculpe o gerúndio) a sua parte; o Legislativo ainda nem tomou posse, mas sabe-se de antemão, pela própria dinâmica da casa, que por lá a lerdeza se confunde com estratégia, debates se arrastam e urgências emperram.

Lula sabe que se não houver radicalização na paz, a violência vem à galope dada a insuflação nas redes e a coceira nas mãos dos extremistas em usar as armas adquiridas a granel. 

O Brasil sem Lula não é nada. E vice-versa. 

Rua.


Sirlei Fernandes

quarta-feira, janeiro 18, 2023

MENTIRAS EM PAUTA

Muito tem se falado sobre os desdobramentos negativos, prejudiciais à ordem pública decorrentes das mentiras postadas e compartilhadas na globosfera.

Muito também se fala na necessidade urgente de coibir tais práticas.

O assunto é recorrente e esbarra sempre na falta de clareza nos conceitos de liberdade, não só de expressão, como também do modo interpretativo de ver a verdade.

Ora pois, o debate emerge e patina, sempre. 

E as mentiras continuam a todo vapor. 

Prender o mentiroso? Aplicar multa? Lacrar? Fechar? O feitiço não pode virar contra o feiticeiro?

É inadmissível, com tanta gente pensante e capacitada  nesse paizão de meu Deus, que não se chegue a um denominador comum sobre a questão. 

URGE.

Perfil dos terroristas

Reações e feições de gente extremista versada em cargos do alto escalão, ao ser flagrada em ilicitudes revelam que:

* são pessoas altamente dissimuladas;

* mostram-se dependentes de um de comando maior;

* simulam com perfeição fragilidade inexistente;

* são pessoas frias, se reconhecem intocáveis;

* olham para o vácuo;

* fazem cara de natureza morta.

A psicologia explica?

Terroristas cínicos

A raiva dos terroristas presos é não poder dizer que são expostos injustamente à execração pública. 

Eles mesmos se incumbiram disso ao se exibirem faceiros e cinicamente destemidos nos seus videozinhos de lacração. 

Chora manezada.

PENSANDO ALTO: DEMOCRACIA AMEAÇADA

 "A democracia pressupõe a existência de oposição aos governos vigentes. Faz parte do próprio regime. 

Tal assertiva, no entanto, não deve ser confundida com o uso de mentiras e ações desestabilizadoras aos governos legitimamente eleitos."

terça-feira, agosto 02, 2022

SETE DÉCADAS

Nos tempos das estradas barrentas sem asfalto, lá ia uma bebezinha de 2 anos rumo a um novo destino. Uma tia decidiu levá-la para morar com a avó materna em Campo Mourão. O motivo - diziam - era porque a criança ocupava  espaço demais numa pequena casa onde já moravam os pais e as duas filhas do primeiro casamento do pai. Eles moravam na Cachoeira, um pequeno povoado perto do Turvo.

E a infância se fez alimentada por pitangas e guabirobas aos tantos nos campos livres da terra vermelha. 

Da água de poço muitas vezes barrenta em tempos de estiagem prolongada.

Do grupo escolar, o guarda-pó  branco e o bornal de pano de saco. 

Do ginásio, a saia bordô pregueada, blusa e meia três quartos brancas. 

A Rádio Colmeia quebrava o silencio dos lares e bares, ora a ecoar Teixeirinha, ora Elvis Presley ou então Reporter Esso. Programa de calouros no palco do Cine Império movimentava a vida cultural da juventude mourãoense.

Do cinema, grandes lembranças. Mazzaroppi dava o tom da interatividade com público. A galera batia o pé no chão e batia palmas diante das aventuras bem sucedidas do caipira engraçado. Faroestes, filmes épicos e românticos italianos atraiam muita gente em frente a tela. 

As paradas de 7 de setembro, sinônimo de patriotismo absoluto na precisão do toque da fanfarra, dos passos em marcha, das balizas trajadas em vestidos de veludo enfeitados com vidrilhos e lantejoulas. 


Jovem guarda


Os sonhos eram embalados pela   garota papo firme que o Roberto falou, a mini saia da Wanderléa e no verde dos olhos do Wanderley Cardoso. Tudo muito intenso e vivido.

Do ginásio à Normal Secundária, adolescentes quase mocinhas esperançosas pelo ofício de professora primária e, quem sabe, de um bom futuro com o mocinho conquistado na saída da missa das dez ou então no escurinho do cinema.


Nem uma coisa nem outra.

Curitiba me chamava, o mundo me chamava para um outro capítulo da história. 

Com 80 cruzeiros e poucas peças de roupas dentro de uma mala surrada, cheguei às 6hs da manhã  no dia 18 de novembro de 1971 na rodoviária do Guadalupe.

Um apartamento de dois quartos e doze moradoras. Para este local me dirigi para ser a décima terceira a se integrar na república das moças que vinham do interior para fazer faculdade. 


Há 50 anos

Felicidade. Passei no vestibular. Comunicação Social na UFPR. É mole? Anfiteatro lotado do ed. D. Pedro I. 

A área de humanas emanava rebeldia. Sem saber o porquê nem razões aparentes, vi estudantes se esconderem da polícia dentro do guarda-roupa da CEUC - Casa da Estudante Universitária de Curitiba. 


Natal de 1972

Sem dinheiro para passar o Natal com a família, um grupo de estudantes se reuniu na Praça Santos Andrade perto da meia noite para comemorar juntos a data do nascimento do Homem. O som das cordas do violão, a Noite Feliz foi interrompida por alguns policiais  com o argumento de que o sossego da vizinhança e a ordem pública estavam ameaçados. Houve revista nos pertences e então os fardados encontraram panfletos mimeografados dentro das mochilas. 

Nestes, informes e denúncias de perseguição de estudantes no Rio e São Paulo. 

A ideia era, durante a madrugada, colocar o material embaixo  das portas no comércio da Rua XV.

Em silêncio sepulcral, a sagrada teimosia foi levada para a sede do DOPS-Delegacia de Ordem Política  e Social. Lá, entre ponta-pés, tapas e interrogatório absurdo os sinos de Belém repicavam medo. A noite foi longa, tétrica.


1973

De guichê em guichê, de porta em porta, a resposta era a mesma: você não pode renovar a matricula porque você reprovou por falta; você reprovou em mais de duas disciplinas por isso não pode se rematricular...

Tudo isso sem saber porque. 


O sonho da mocinha desmoronou. Faculdade, o curso de JORNALISMO, ficou prá  trás.  Vieram empregos, concurso vitorioso no Banestado, novas moradias, curso de Serviço Social na faculdade Espírita, dois filhos amados e... aposentadoria.

Mas o JORNALISMO interrompido continuava a incomodar.


A virada.

Reunião informal e conversas animadas entre sindicalistas bancários. 

Neste clima, um camarada - que no final deste texto direi quem é -  perguntou-me se eu queria voltar a estudar. A princípio estranhei a pergunta e aí ele argumentou que  a Unibrasil estaria a abrir suas portas para o curso de JORNALISMO.

Topei a parada. Fui da primeira turma do sonho realizado, da vida que seguiu em frente.

Obrigada Wilson Ramos Filho Xixo.

Obrigada a todas e todos que me aguentaram e que  continuam me aguentando nestas sete décadas.

quinta-feira, junho 23, 2022

Renato Freitas, ora cassado


A 'invasão' na igreja durante a missa foi preponderante para a tomada da decisão que levou à cassação do mandato do vereador Renato Freitas-PT. 

O termo 'invasão foi repetido à exaustão desde o início do processo. 

Nem vídeos a demonstrar não haver interrupção de culto, nem depoimento do padre a alegar não ter havido constrangimento aos fiéis, nem inúmeras testemunhas a relatar uma manifestação pacífica e ordeira foram suficientes para demover a casa da convicção de culpa do vereador. 

O caso ilustra com força o poder da narrativa. Não importa se a pessoa cometeu ou não determinada irregularidade. Bastam artimanhas midiáticas de convencimento para moldar a realidade na construção dos fatos.

E por que a certeza de injustiça na cassação do Renato?

Porque eu estava lá naquele dia. Presenciei e participei daqueles 10 minutos dentro da igreja  donde ali a sagrada rebeldia representava o inconformismo pela morte estúpida de um negro indefeso.

Negro não sabe o que é dor. Negro não tem alma não.

Que essa palavra 'invasão' tão fartamente usada para criminalizar quem quer terra para plantar, teto para morar e agora igreja para manifestar a dor seja colocada no lixo da história. 

Infelizmente, a CMC entrou no rol maldade e da discriminação.

Castro Alves um dia escreveu:

"Deus! Oh! Deus! Onde estás que não respondes? Em que mundo, em que estrelas tu te escondes?


Será que Deus está envergonhado?