quinta-feira, janeiro 26, 2017

Dedo na ferida

A questão é polêmica? É.
No entanto, a questão é polêmica porque o debate é feito por gente indevida no local errado.
Falo do aborto.

A atividade é  lucrativa. Mulheres aos milhares se submetem à prática do aborto em clinicas clandestinas. Médicos charlatães ganham dinheiro fácil e não pagam impostos.

A mulher corre risco de morte. A clandestinidade exime responsabilidades.

Enquanto isso um deputadozinho qualquer aparece na TV com seu terno de grife dizendo-se contra o aborto.

Pergunto. Ser contra ou a favor resolve o problema da saúde das mulheres?

Sim. O assunto é da saúde.  Não é de igreja, nem tampouco deve ser visto sob ótica religiosa.

Porque as mulheres precisam de educação, orientação sexual, cuidados e, sobretudo, de amor. Doutrinação não.

No mais é pura hipocrisia.

terça-feira, janeiro 10, 2017

Morador de rua não é gente

Gente que dorme ao relento e passa o dia a perambular pelas ruas e praças é gente vagabunda.
Gente fétida, sem capricho com a veste e com  dentes podres na boca não é gente. É lixo.
Gente sem eira nem beira, bêbados e drogados. Errantes da vida.
Então fazer o quê?
Governante que é governante jamais deixaria seus cheirosos eleitores à mercê do odor horroroso vindo das marquises por onde andam madames  com suas sacolas das Lojas Riachuelo.
O bom governante deve ser criativo.
Morador de rua não tem sindicato. Aliás, a única proteção que ele tem é a do fiel Vira-lata que dorme com ele nas noites de frio.
Morador de rua não tem passado. O governante competente arranca-lhe os documentos (se é  que ainda os tem) para fazê-lo esquecer do nome do pai e da mãe.
Morador de rua não tem escolha. Ou se recolhe no mundo dos limpos ou está predestinado ao vale dos marginalizados, tal como os leprosos nos tempos de Cristo.

ET.  Acabo de levar um pão de casa à ocupa da marquise do Walmart do Cabral.

sexta-feira, janeiro 06, 2017

Bandido bom é bandido morto

Hoje o Brasil acordou com mais uma manchete macabra, a morte de 33 presos em Boa Vista-RR.
Apenas 33 vidas ceifadas a se tornarem anônimas de fato sepultadas, porque de direito já estão mortas há tempos.
O filho que tinha a esperança de ver o pai  um dia sair da cadeia, poder abraçá-lo e dizer:  “que bom que você tá aqui”, chora.
A mãe que levava sobremesa nos finais de semana na cadeia ao filho delinquente na esperança de que dia menos dia o Pai Divino tirasse o rapaz de lá, se desespera.
Enquanto isso, os deveras protegidos da lei discutem responsabilidades na frieza dos números. Preso custa caro ao Estado. O trabalho e a educação são substituídos pela retórica da construção de mais presídios. Erguer paredes é mais vantajoso. Em cada tijolo, a propina descarada. Em cada obra propositalmente interminável, um aditivo orçamentário.
Uma cadeia privatizada, um preso superfaturado.  O Estado terceiriza a segurança. É mais fácil delegar funções para cuidar de gente cuja vida vale menos que um monte de lixo.

Aos mandantes da Nação, o menoscabo de suas prosopopeias.

domingo, dezembro 11, 2016

Tá tudo errado

Ontem
Nas décadas de 80/90, a declaração do Imposto de Renda  era  uma tarefa  que exigia mais criatividade que prestação real de contas com o Leão.
Aproveitando brechas de controle e fiscalização, o contribuinte forjava informação de valores nas deduções.  Tudo  para não pagar imposto e também para reembolsar o que estava retido na fonte.
Atire a primeira pedra  quem nunca  superfaturou recibo médico, dentista; que não incluiu dependentes que de dependente só tinha o nome na declaração. A prática era recorrente no governo FHC.
Sem alarde, no governo Lula a Receita tomou um banho de informatização  e as formas de acompanhamento e controle sofreram profundas mudanças.  O cidadão passou a temer a malha fina.  Pesadas  multas viriam a não compensar os costumeiros  chunchos.  
A sonegação reduziu drasticamente.  
Hoje
Caso as  medidas corretivas  do sistema  tomassem o rumo do habituè atual,  os sonegadores seriam objeto de midiáticas investigações  policiais.
 As operações teriam um nome para cada Estado. No Paraná, se chamaria Operação SonegaPar;  em Sampa, SonegaPaulo;  no Rio de Janeiro, SonegaRio, .. Os sonegadores de grande monta e em conluio com fiscais da receita,  receberiam  codinomes vulgares, risíveis.
As notícias pautariam a imprensa dia após dia.  Nas ruas e praças o assunto seria sempre o mesmo: quem será o próximo a cair nas mãos da Receita.
Amanhã
Tal vulto, tal abrangência. Faltariam gases e esparadrapos  para estancar o pus, tamanho o rombo da ferida aberta.
E a sonegação  continuaria.

sexta-feira, novembro 25, 2016

Brasil perdido

Não sou lá de escrever  na primeira pessoa, mas infelizmente  os fatos atropelam.
Desde o dia em que Dilma Rousseff permaneceu 18 horas na inquisição do Senado a  responder perguntas repetitivas, inócuas, não me sentia tão revoltada como nesta quarta-23.
Assistir ao vivo e a cores, um bando de parlamentares calhordas corruptos defenderem Geddel das falcatruas na Bahia, inclusive em documento assinado, e ainda a comemorar pela união em torno da negociata, causa-me asco, nojo da classe política que está hoje a dar as rédeas no país.
Penso no infeliz  que saiu às ruas a gritar fora Dilma, que bateu panela, que xingou Chico Buarque.  São todos da mesma laia. Pertencem a mesma turma podre protegida nas teias do poder conquistado por meio de um golpe maldito.

sábado, novembro 12, 2016

Lula é o cara!

A perseguição ao Lula é tão descarada, descabida, que basta ele participar de eventos ou mobilizações que a mídia noticia um nova denúncia contra o barbudo.
Lula dedica o seu tempo na intensa tarefa de reorganizar o PT, levando em conta conjunturas adversas pós golpe e resultado eleitoral de 2014 encolhido.
Na verdade, o que direita e a mídia quer é ver o Lula acuado, desanimado.
Mas não vão conseguir, porque
Na verdade, Lula é o cara
!

sexta-feira, novembro 11, 2016

Se sensibilizar, doar ou negar?

Percebo que a abordagem de pessoas a pedir ajuda - quer de comida,  quer de dinheiro - aumentou consideravelmente nos últimos meses.
Ocorre no interior dos ônibus coletivos, no portão de casa. nos parques. Onde há movimento, tem um homem, uma mulher, uma criança a expor carências.
Há também visíveis ações humanitárias civis localizadas. Vizinhos, comunidades religiosas se mobilizam em arrecadar dinheiro para compra de alimentos aos necessitados.

Dilema
Como agir nestas situações, ao admitir que grande parte do agravamento  da situação  decorre  de políticas mal elaboradas, de má gestão de governantes?
Como legitimar a esmola, ao admitir também que o mesmo povo que a pede e os assistencialistas não se deram conta  da urgência dos governos em priorizar políticas de bem estar social?
A responsabilidade de cuidar do povo carente é do governo.  É por e prá isso que o cidadão trabalha e paga imposto.

Uma provocação.
Sugiro aos organizadores em arrecadar de dinheiro pra comprar cesta básica, convidar os famintos para juntos fazerem uma visita surpresa na casa do político ao qual depositou o voto.