Conheci Dona Mariazinha e a filha Marina nos anos 80. Marina era filha única e ambas moravam num apartamento alugado no centro de Curitiba. Dos parentes, restava apenas uma prima de idade avançada que raramente as visitava.
Marina trabalhava no Banestado. Ao sair para trabalhar, Dona Mariazinha ficava acenando na janela do apartamento no 8º andar, até a filha virar a quadra para pegar o ônibus. Era tanto apego, que a mãe ligava umas dez vezes por dia ao banco para saber da filha. E vice versa. O tratamento entre elas era de “meu amorzinho”. E ai de quem falasse mal da Marina. Dona Mariazinha ficava uma fera.
As duas eram muito faceiras e boas anfitriãs. Se orgulhavam de boa parte da vida haverem freqüentado a alta roda da sociedade paulistana.
Sempre bem vestidas, de cabelos pintados e maquiagem impecável, serviam um café delicioso aos amigos banestadenses que as visitavam. Recebê-los era um ato prazeroso .
Marina se aposentou. O afastamento da rotina bancária fez com que gradativamente os amigos deixassem de freqüentar a casa das duas. De vez em quando alguém dava alguma notícia, o que ficou cada vez mais raro com o passar do tempo.
Uns quinze anos depois
Ao folhear a Gazeta do Povo, chamou-me a atenção uma reportagem sobre as velhinhas internadas no Asilo São Vicente. Olhei a foto ilustrativa da matéria - duas mulheres de cabelos totalmente brancos numa cadeira de rodas – sem jamais imaginar que pudesse se tratar de gente conhecida. Mas, ao avançar a leitura, liguei os fatos. Sem dúvida, mãe e filha estavam lá.
A Assistente Social do Fundo de Pensão relatou a saga. Dona Mariazinha, com seus mais de 80 anos, dia-a-dia tornava-se cada vez mais fraca. Sem contar o Mal de Alzheimer cada vez mais avançado.
Sem estrutura física e emocional para cuidar da mãe, a quem tinha como esteio, Marina sofreu um derrame e ficou dois meses na UTI. Ela conseguiu sobreviver, mas ficou totalmente desmemoriada. O fato interessante dessa história, é que Marina não reconhece a mãe – a chama de Conceição – mas no delírio a quer sempre por perto, a ponto de ficar desesperada se perde a cadeira da mãe de vista.
Amanhã – véspera de Natal - irei visitá-las. Levarei um pequeno presente e direi que sou uma amiga dos tempos do Banestado, referência sem nenhuma importância no contexto.
A conversa será meio desconexa, mas o abraço, o olhar e o toque terão sintonia.
Feliz Natal às minhas amigas.
terça-feira, dezembro 24, 2013
quarta-feira, dezembro 11, 2013
Dois pesos, duas medidas
Na campanha para prefeito de Cascavel em 2012, Edgar Bueno-PDT induziu os eleitores ao erro, ao caluniar, mentir e difamar o principal adversário, o professor Lemos-PT. Além, claro, do abuso do poder econômico.
Há 14 anos, na campanha para prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi induziu os eleitores ao erro, ao caluniar, mentir e difamar o principal adversário, o petista e hoje deputado federal Ângelo Vanhoni. Além, claro, do abuso do poder econômico.
Bueno é cassado e o TRE manda Lemos assumir a prefeitura.
Taniguchi cumpriu o mandato até o final e os crimes foram prescritos.
Cumplicidade
Depois de deixar o cargo de secretário no Distrito Federal, após o escândalo do "mensalão do DEM", que derrubou o então governador José Roberto Arruda, Taniguchi retorna ao Paraná com a moral dos que sabem onde encontrar abrigo. Sentindo-se em casa, é nomeado Secretário de Planejamento no governo do tucano Beto Richa.
Há 14 anos, na campanha para prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi induziu os eleitores ao erro, ao caluniar, mentir e difamar o principal adversário, o petista e hoje deputado federal Ângelo Vanhoni. Além, claro, do abuso do poder econômico.
Bueno é cassado e o TRE manda Lemos assumir a prefeitura.
Taniguchi cumpriu o mandato até o final e os crimes foram prescritos.
Cumplicidade
Depois de deixar o cargo de secretário no Distrito Federal, após o escândalo do "mensalão do DEM", que derrubou o então governador José Roberto Arruda, Taniguchi retorna ao Paraná com a moral dos que sabem onde encontrar abrigo. Sentindo-se em casa, é nomeado Secretário de Planejamento no governo do tucano Beto Richa.
segunda-feira, dezembro 09, 2013
As três mosqueteiras: Edna, Sirlei e Toninha
Esta foto foi tirada no IV Encontro Nacional das Catadoras de Materiais Recicláveis realizado entre 3 e 5 de dezembro na Associação Banestado em Praia de Leste. Os chapéus faziam parte da decoração do evento.
Estou viva!
Olho-me no espelho. Que mulher é esta que vejo refletida? Um olhar que brilha por novas conquistas? Um sorriso de satisfação pelos abraços recebidos? Uma mulher, dona do seu destino, mas que às vezes brinca de ser criança?
Represento várias mulheres, ao mesmo tempo sendo única. Sou atriz principal e muitas vezes coadjuvante de minha própria existência. Enfrento com coragem os percalços impostos pela minha geração. Faço das marcas evidentes do tempo na face um pacto de felicidade com a vida. Estou viva!
Represento várias mulheres, ao mesmo tempo sendo única. Sou atriz principal e muitas vezes coadjuvante de minha própria existência. Enfrento com coragem os percalços impostos pela minha geração. Faço das marcas evidentes do tempo na face um pacto de felicidade com a vida. Estou viva!
domingo, outubro 20, 2013
É proibido proibir
Zé das Pedras é um cara famoso. Seus discos venderam como água nas décadas de setenta oitenta. Já ganhou prêmios internacionais como intérprete e compositor, inclusive de trilhas sonoras adaptadas ao teatro e cinema. Enfim, é um cara que nasceu para o sucesso.
Gente interessada em documentar a trajetória do Zé escreveu um livro sobre sua vida. Uma obra bonita de 200 páginas. Lá na página 187, tem uma passagem inusitada da sua biografia. Conta o escritor que Zé tinha mania de emitir flatulências enquanto pensava, enquanto se entregava aos devaneios inspiradores de sua criação. A narração vai mais além. Afirma que, quanto mais forte o odor dos gases , mais o artista se inspirava na composição dos versos.
O livro virou bestseller da noite para o dia. De norte a sul, todo mundo comentava a biografia do Zé. Só que a vida dele virou um inferno.
A dona da padaria da esquina da casa do Zé torcia o nariz quando ele entrava no estabelecimento comprar o pãozinho de cada dia. Certa vez Zé escutou a vendedora cochichando com uma amiga se o cheiro da flatulência não iria contaminar o sabor dos pães.
Pior mesmo aconteceu naquele domingo. Como sempre, Zé foi à praia tomar um delicioso banho de sol. Bater um papo gostoso com a galera. A fim de relaxar, deitou na areia e fechou os olhos para ouvir o balanço do mar. Ao abri-los, viu que não tinha mais ninguém ao redor. O vendedor de coco disse-lhe que a moçada ficou com medo que ele infestasse o lugar.
E o talento do Zé? A flatulência ofuscou.
Gente interessada em documentar a trajetória do Zé escreveu um livro sobre sua vida. Uma obra bonita de 200 páginas. Lá na página 187, tem uma passagem inusitada da sua biografia. Conta o escritor que Zé tinha mania de emitir flatulências enquanto pensava, enquanto se entregava aos devaneios inspiradores de sua criação. A narração vai mais além. Afirma que, quanto mais forte o odor dos gases , mais o artista se inspirava na composição dos versos.
O livro virou bestseller da noite para o dia. De norte a sul, todo mundo comentava a biografia do Zé. Só que a vida dele virou um inferno.
A dona da padaria da esquina da casa do Zé torcia o nariz quando ele entrava no estabelecimento comprar o pãozinho de cada dia. Certa vez Zé escutou a vendedora cochichando com uma amiga se o cheiro da flatulência não iria contaminar o sabor dos pães.
Pior mesmo aconteceu naquele domingo. Como sempre, Zé foi à praia tomar um delicioso banho de sol. Bater um papo gostoso com a galera. A fim de relaxar, deitou na areia e fechou os olhos para ouvir o balanço do mar. Ao abri-los, viu que não tinha mais ninguém ao redor. O vendedor de coco disse-lhe que a moçada ficou com medo que ele infestasse o lugar.
E o talento do Zé? A flatulência ofuscou.
GREVE É INEVITÁVEL. SERÁ?
Desde 2011 o reajuste do salário mínimo tem regras definidas. O valor é calculado com base no percentual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mais a reposição da inflação do ano anterior pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Até então, a definição dos índices era precedida de intensa mobilização social provocada principalmente pelas centrais sindicais. Trabalhadores aposentados e ativos saiam às ruas em luta pelos direitos. Pipocavam manifestações e caravanas seguiam em marcha rumo à Brasília. Tempos memoráveis.
O salário mínimo por decreto - bem ou mal - acalmou os ânimos da agenda sindical no trato do tema.
Mas a reflexão deste texto não é esta. É sobre a convenção coletiva de trabalhadores pertencentes a categorias organizadas em torno de grandes sindicatos.
Nas datas-base, as reivindicações são múltiplas, mas o carro chefe das negociações e o incentivo à deflagração de greve se acentua no impasse das cláusulas econômicas.
Não raro, a intransigência resulta em dias e dias parados, perseguição de chefias - o sindicato pede 10, o patrão propõe 5 e no final fecha-se em 7,5 - reposição ou desconto dos dias parados. Os sindicatos cantam vitória, os trabalhadores nem tanto, e tudo volta ao normal até o próximo ano, quando tudo novamente se repete.
A inquietação está no porquê e a quem interessa o habituê anual de paralisações. Greve é medida desgastante, coloca o trabalhador entre a cruz e a espada: se adere, sofre com o medo da demissão; se fura, é taxado de “fura- greve” pelos colegas. De outro lado, também tem uma população prejudicada pela falta de atendimento.
Ingenuidade não. É sabido que na política grandes líderes nascem do palco das assembléias e que a criação de partidos políticos são facilitados no âmbito das estruturas sindicais.
O discurso da retomada de conquistas e avanços feitos pelas lideranças sindicais é uma forma segura de aproximação e fortalecimento de vínculos com a classe trabalhadora.
Mas então? Custa a crer que, diante dos avanços das relações trabalhistas, da evolução e novas formas de comunicação em todos os meios, o prestígio dos sindicatos esteja atrelado à capacidade de mobilizar os trabalhadores para cruzar os braços.
Não se trata da visão maniqueista de ser contra ou a favor de greve. A questão é pensar em alternativas menos desgastantes e ao mesmo tempo capaz de garantir os direitos dos trabalhadores.
Uma boa saída seria encaminhar as negociações de forma a vincular aumento salarial a indexadores econômicos, aos moldes de como é tratado hoje o reajuste do salário mínimo. Jeito tem. É só pensar numa concepção mais modernizada da relação trabalhador-sindicato. Uma relação adaptada a agilidade própria de quem não tem tempo a perder.
Aos companheiros do movimento sindical, peço desculpas pela ousadia e desde já preparo as costas a bordoadas.
Até então, a definição dos índices era precedida de intensa mobilização social provocada principalmente pelas centrais sindicais. Trabalhadores aposentados e ativos saiam às ruas em luta pelos direitos. Pipocavam manifestações e caravanas seguiam em marcha rumo à Brasília. Tempos memoráveis.
O salário mínimo por decreto - bem ou mal - acalmou os ânimos da agenda sindical no trato do tema.
Mas a reflexão deste texto não é esta. É sobre a convenção coletiva de trabalhadores pertencentes a categorias organizadas em torno de grandes sindicatos.
Nas datas-base, as reivindicações são múltiplas, mas o carro chefe das negociações e o incentivo à deflagração de greve se acentua no impasse das cláusulas econômicas.
Não raro, a intransigência resulta em dias e dias parados, perseguição de chefias - o sindicato pede 10, o patrão propõe 5 e no final fecha-se em 7,5 - reposição ou desconto dos dias parados. Os sindicatos cantam vitória, os trabalhadores nem tanto, e tudo volta ao normal até o próximo ano, quando tudo novamente se repete.
A inquietação está no porquê e a quem interessa o habituê anual de paralisações. Greve é medida desgastante, coloca o trabalhador entre a cruz e a espada: se adere, sofre com o medo da demissão; se fura, é taxado de “fura- greve” pelos colegas. De outro lado, também tem uma população prejudicada pela falta de atendimento.
Ingenuidade não. É sabido que na política grandes líderes nascem do palco das assembléias e que a criação de partidos políticos são facilitados no âmbito das estruturas sindicais.
O discurso da retomada de conquistas e avanços feitos pelas lideranças sindicais é uma forma segura de aproximação e fortalecimento de vínculos com a classe trabalhadora.
Mas então? Custa a crer que, diante dos avanços das relações trabalhistas, da evolução e novas formas de comunicação em todos os meios, o prestígio dos sindicatos esteja atrelado à capacidade de mobilizar os trabalhadores para cruzar os braços.
Não se trata da visão maniqueista de ser contra ou a favor de greve. A questão é pensar em alternativas menos desgastantes e ao mesmo tempo capaz de garantir os direitos dos trabalhadores.
Uma boa saída seria encaminhar as negociações de forma a vincular aumento salarial a indexadores econômicos, aos moldes de como é tratado hoje o reajuste do salário mínimo. Jeito tem. É só pensar numa concepção mais modernizada da relação trabalhador-sindicato. Uma relação adaptada a agilidade própria de quem não tem tempo a perder.
Aos companheiros do movimento sindical, peço desculpas pela ousadia e desde já preparo as costas a bordoadas.
quarta-feira, outubro 02, 2013
Quem usa máscara é covarde
Resultou numa baita confusão a junção dos black blocs e professores em greve no Rio. Bens públicos depredados, pancadaria, tiros da polícia e uma correria doida assustaram os cariocas na tarde de ontem.
Há quem defenda a presença dos mascarados nas manifestações, com a justificativa de solidariedade à classe. Bonito gesto se as ações dos grupos não resultassem em prejuízo para bolso do cidadão comum, esse que trabalha, paga imposto e depende do bom funcionamento dos serviços públicos. As cenas de quebradeira em nada contribui para resolver os problemas do país nem a curto, nem a longo prazo.
Violência gera violência. Até prova ao contrário, se esconder atrás de uma máscara com o objetivo de desafiar as instituições é, no mínimo, atitude de quem tem merreca na cabeça.
Há quem defenda a presença dos mascarados nas manifestações, com a justificativa de solidariedade à classe. Bonito gesto se as ações dos grupos não resultassem em prejuízo para bolso do cidadão comum, esse que trabalha, paga imposto e depende do bom funcionamento dos serviços públicos. As cenas de quebradeira em nada contribui para resolver os problemas do país nem a curto, nem a longo prazo.
Violência gera violência. Até prova ao contrário, se esconder atrás de uma máscara com o objetivo de desafiar as instituições é, no mínimo, atitude de quem tem merreca na cabeça.
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